Desenvolvimento Sexual

     Do Embrião a Puberdade

    O  início  do  desenvolvimento  e  da formação dos  órgãos  sexuais   humano  acontece  no
  embrião,  na  fase inicial  da gestação.  Durante  os 5-7 primeiros dias  após a  fertilização  o
  óvulo  fecundado,  agora  denominado  blastocisto ,  chega  até  o  útero e  é implantado na
  parede   celular   uterina   (endométrio),   iniciando  a   formação   da  placenta.  As  células
  trofoblásticas   que  envolvem  o  blastocisto  implantado  iniciam   a  liberação  de   grandes
  quantidades  do  hormônio  gonadotropina coriônica  humana (hCG).  O  hormônio hCG exerce
  função  estimulante  sobre  os  testículos  do  feto  masculino,  resultando  na  produção  de
  testosterona  nos  testículos  fetais  até  o momento do nascimento.  A gônada  do  embrião
  em   desenvolvimento   é  'indiferenciada',  isto é,  tem  potencial  para  se  desenvolver  em
  testículo (gônada masculina) ou ovário (gônada feminina) em resposta a estímulo apropriado.
  A  secreção de testosterona pelos testículos fetais estimula  o desenvolvimento da  genitália
  interna e,  contribui para  a supressão  do desenvolvimento  sexual feminino.  Por volta de  3
  semanas a 1 mês antes do nascimento,  a testosterona estimula a descida dos testículos  do
  abdome  para  a bolsa  escrotal.  Este hormônio  é responsável por  todas as  características
  secundárias masculinas além de masculinizar o cérebro precoce em desenvolvimento e, deste
  modo,  desempenhar papel fundamental na determinação da identidade, da orientação sexual
  e das modificações comportamentais.
    Embora  durante  o  desenvolvimento  da criança a maior parte  das  células-alvo  para  os
  hormônios  sexuais  estejam  no  próprio  órgão sexual,  os  hormônios sexuais  liberados  na
  circulação  sanguínea geral podem agir em outras células do corpo e no cérebro.  O principal
  alvo no cérebro para os hormônios  sexuais é o hipotálamo.  As outras áreas-alvo no sistema
  nervoso são aquelas responsáveis pela inervação da base do pênis e clitóris. A exposição do
  embrião   aos   hormônios   sexuais   tem  efeitos   permanentes   no   desenvolvimento   do
  comportamento  sexual  relacionado  com  a  função  reprodutiva.  Os  hormônios  neonatais
  possuem  efeitos "organizacionais" no  cérebro até a puberdade,  quando  se inicia os efeitos
  sobre o comportamento do tipo "ativação", que estará de acordo com o sexo.
    Durante  o período  pré-púbere  (do nascimento até o início da puberdade)  tanto  meninos
  como  meninas  têm  a  produção  dos hormônios sexuais  suprimida  por  ação  inibitória  do
  hipotálamo,  que  não  secreta  quantidades  significativas  do  Hormônio  de  Liberação  das
  Gonadotropinas (GnRH) para levar a estimulação das gônadas.  Isto se deve, principalmente,
  por  que  durante  a  infância a menor secreção de qualquer dos hormônios  sexuais  inibe  a
  secreção  do GnRH pelo hipotálamo.  Em conseqüência,  as  características  sexuais têm seu
  desenvolvimento  interrompido  da  infância  até  a  puberdade.   Porém,   por   razões  ainda
  desconhecidas,  no  início da puberdade, há liberação de GnRH que rompe com a  inibição  da
  infância,  dando  início  a  vida sexual adulta.  A partir desta fase,  o  hipotálamo  estimula  a
  glândula  hipófise a secretar os hormônios gonadotrópicos LH e FSH. Inicialmente,  a  hipófise
  das  meninas  em crescimento secreta FSH, dando início a vida sexual e, em seguida  LH  que
  auxilia  no  controle  do  ciclo  menstrual.  Nos  meninos em crescimento,  o  FSH  estimula  a
  espermatogênese e o LH estimula a produção de testosterona.