Desenvolvimento Sexual

     Funções Sexuais Masculinas

    Fisiologicamente,  as funções sexuais masculinas podem ser divididas em: espermatogênese,
  desempenho  do  ato sexual  e regulação das funções reprodutoras.  A  Figura  2  mostra  as
  partes  do  sistema  reprodutor masculino,  com detalhamento  do  testículo  e  epidídimo.  O
  testículo (gônada masculina) é formado pelos túbulos seminíferos enovelados,  no interior dos
  quais são formados os espermatozóides,  ainda  imaturos  e  incapazes de fecundar um óvulo.
  Os espermatozóides são então, lançados no epidídimo, outro tubo enovelado, onde atingem a
  maturidade  (desenvolvem  a  capacidade  de  motilidade)  para  serem  levados  até  o canal
  deferente. Antes de serem lançados na uretra, os espermatozóides são banhados por  líquidos
  provenientes das vesículas seminais e da próstata.  Estes  líquidos  são  fundamentais  para a
  manutenção da sobrevida dos espermatozóides,  mesmo  quando atingem  o meio  externo.  A
  uretra,  que faz a conexão com o meio externo, também possui glândulas  que  enriquecem  o
  sêmen.
    A  espermatogênese  inicia  com a  puberdade e prossegue durante a maior  parte  da  vida,
  porém diminui  acentuadamente  na velhice.  A  formação dos espermatozóides  é  estimulada
  pelos  hormônios  gonadotrópicos LH e FSH secretados pela hipófise estimulada pelo GnRH  do
  hipotálamo. O LH estimula as células intersticiais dos testículos (células de Leydig) a secretar
  o   mais  abundante  hormônio  sexual  masculino,  a  testosterona,  pela  atividade  do   eixo
  hipotálamo-hipofisário-gonadal.
    Em geral a testosterona é responsável pelas características diferenciais do corpo masculino.
  Depois  da  puberdade,  a quantidade crescente de secreção de testosterona faz com que  o
  pênis,  a bolsa escrotal  e os testículos aumentem aproximadamente oito vezes antes dos  20
  anos de idade. Além disso, a testosterona causa o crescimento dos pêlos i) no púbis, ii)  para
  cima ao longo da linha alba do abdome,  algumas vezes até o umbigo e acima, iii) na face, iv)
  em  geral, no tórax e v)  com menos freqüência em outras áreas do corpo,  como  as  costas.
  Este  hormônio  também  diminui  o  crescimento  dos  cabelos  no topo da cabeça,  porém  a
  calvície  é  resultado de dois fatores,  fatores genéticos e a grande quantidade de  hormônios
  androgênicos.   A  voz  grave  característica  dos  homens  é  também  a  ação  do  hormônio
  masculino   sobre  a  mucosa  da  laringe,   hipertrofiando   este   órgão.   Na   puberdade   é
  característica  a voz discordante,  "rachada",  porém gradualmen te vai se transformando  na
  voz grave masculina,  típica do adulto.  Também,  pode-se  observar o aparecimento de acne
  devido  ao efeito da testosterona em aumentar a secreção pelas glândulas sebáceas da face,
  porém  a  pele  normalmente  se  adapta  ao  hormônio  depois  de  vários  anos,  havendo  a
  superação  da  acne.   Uma  das  características  masculinas  mais  importantes  consiste  no
  desenvolvimento  de  musculatura  aumentada  depois da puberdade, com aumento médio  de
  cerca de 50% na massa muscular em relação às mulheres.
    Como  vimos,  a  produção  e  a  secreção  de  testosterona  pelas  células  intersticiais nos
  testículos é altamente regulada pelos hormônios GnRH, LH e FSH. Contudo, a liberação destes
  hormônios  sofre uma  inibição quando os níveis dos hormônios androgênios estão elevados. A
  esta regulação chama-se feedback negativo,  ou retro-alimentação negativa.  A testosterona
  secretada em resposta ao LH  exerce efeito recíproco de inibir a secreção de LH  pela hipófise
  anterior.  A testosterona tanto pode inibir diretamente a secreção de LH pela hipófise, quanto
  inibir a secreção de GnRH pelo hipotálamo,  e consequentemente,  diminuir a secreção de LH e
  FSH hipofisários.  A  diminuição  da  secreção  destes  hormônios  resultará  na  diminuição da
  secreção de testosterona pelos testículos.  Então,  quando houver um aumento  muito grande
  da   secreção  de  testosterona,  o  mecanismo  de   feedback  negativo  agirá   através   do
  hipotálamo   e  da  hipófise  anterior,  fazendo  com  que  a  secreção  de  testosterona  seja
  reduzida,  para  que  os  níveis  sanguíneos  sejam  equilibrados  para  valores  apropriados de
  atuação  do  hormônio.  Por outro lado,  quando há  diminuição da  secreção de  testosterona
  abaixo   dos   níveis  apropriados,  o  hipotálamo  secretará  quantidades  elevadas  de  GnRH,
  aumentado  consequentemente  a secreção  de LH e FSH pela hipófise anterior, que resultará
  no  aumento  da  secreção  do  hormônio  androgênio  pelos  testículos.  Este  mecanismo  de
  regulação  é altamente sensível  aos níveis  circulantes do hormônio testosterona,  e ele varia
  de acordo com a fase do desenvolvimento do homem.
    Após  a  puberdade  os  hormônios  gonadotróficos  LH  e  FSH  são produzidos pela hipófise
  masculina  durante  toda  a  vida.  Porém,  na maioria dos homens inicia um declínio lento das
  funções sexuais ao final dos anos 40-50,  e apesar das grandes variações entre os indivíduos,
  a  média  de  idade  para o término das funções sexuais é de 68 anos  (muito  embora  muitos
  homens  não  perderão esta função).  Durante o envelhecimento,  ocorre um declínio  gradual
  nos  níveis  sanguíneos  de testosterona devido a mudança da atividade  do  eixo  hipotálamo
  hipofisário-gonadal   ser  lenta  e  mais  sutil.   Esta  fase  é  coloquialmente  conhecida   por
  "andropausa",  porém este termo é inadequado para designar este quadro clínico nos homens.
  O  mais apropriado seria  "Insuficiência  Androgênica  Parcial do Homem Idoso"  (PADAM  -  do
  inglês:  Patrial  Androgen  Deficiency  of   the  Aging   Male),  que  é  caracterizada  por  uma
  diminuição do número  de células intersticiais dos  testículos e de sua capacidade de secreção
  de testosterona, assim como uma gradual diminuição do estímulo gonadotrófico.
    Embora  o  comportamento  sexual  seja  baseado  na  atividade fisiológica dos hormônios ao
  longo   da   vida,  a   sexualidade  deve  ser  considerada  em  um  contexto  pessoal,  sendo
  influenciada  pelas  condições psicológicas,  sociais e culturais.  A libido  é influenciada  tanto
  pela relação entre emoção e ambiente,  como por hormônios sexuais,  assim os fatores sociais
  e psíquicos podem influenciar o desempenho e, também as funções sexuais do homem.